Retrospectiva Núcleo de Formação semestre 1 de 2012
No primeiro semestre de 2012 o foco de estudos do Núcleo de Formação
ASQ foi a "PRESENÇA" como um desdobramento dos estudos do último semestre de
2011 A partir da lente que esse interesse estabelece, as aulas, as experimentações e as
discussões do primeiro semestre de 2012 nos levaram a refletir sobre como
identificamos e podemos construir um estado de presença quando estamos
dançando.
Mas o que vem a ser essa tal de "Presença" a que
estamos nos referindo?
Uma fina substancia perceptível
que alguns
performers e
artistas do
movimento parecem ter que nos fazem colar o olho neles sem querer perder
nada do que fazem? O que faz um intérprete do movimento ter o poder de
por meio de uma performance de dança nos fazer apreciar o fato de
estarmos vivos e intensificar nossa percepção da vida?? O que é que nos
faz perceber em alguns lindos corpos em movimento (e vcs sabem o que eu quero dizer exatamente com esse lindo... não é
esse pseudolindo padrão de beleza imposto pela indústria de cosmeticos e
da moda a que estamos oprimidos) a condição humana com a expressão de seus movimentos? Como conseguem ser quase
que transparentes de suas emoções e motivações e por meio dessa habilidade nos conectam com o que expressam e muitas vezes nos fazem conectar com
nós mesmos ? Dessa pergunta muitas outras questões se
desdobraram, motivadas por uma certa ânsia de entender , resumindo então: quais as habilidades que
precisamos desenvolver para atingir um estado vivo e expressivo na
dança!
O que o corpo/mente precisa engajar para ser capaz de criar empatia com o
espectador? Como nos envolver com os movimentos e atingir um estado de
dança? Como
podemos
nos apoderar de nossos próprios corpos? Como estarmos incorporados de nossos próprios corpos? Pode parecer maluca essa
pergunta pois
parece impossível estarmos desincorporados do nosso próprio corpo, no
sentido mais concreto. Mas não é dificil perceber que, muitas vezes,
nossa
aprendizagem motora não nos permite realizar alguns movimentos, que
muitas vezes não confiamos no nosso corpo para realizar algumas ações,
não respondemos com velocidade, eficiência e precisão com o corpo,
perdemos os "reflexos", não
temos consciência corporal, coordenação motora, domínio do tempo e do
espaço, não
entendemos o que sentimos, não nos permitimos e nem queremos entrar em
contato com o sentir... E isso pode realmente significar que, de uma
certa forma, estamos fora de nosso corpo...
Nosso foco é a produção poética, perseguimos esse sonho de domínio do nosso próprio corpo e dos movimentos com esse intuito, e aí quando nos deparamos com a criação em dança percebemos ainda outro desafio : gerar movimentos originais, interessantes, expressivos, não estereotipados,
autênticos. Nas discussões pensamos a medida do quanto isso é realmente importante e
possível... Discutimos assim sobre a dificuldade de expressar uma ideia,
ou emoção, sensação e sentimento por meio de movimentos. Falamos de educação
somática, a complexidade do corpo e da expressão humana, de como os conceitos e noções construídas sobre corpo, movimento e
dança formatam nossa percepção e consequentemente nosso sentir e nosso produzir
em dança... Analisamos algumas de nossas noções ( morais, estéticas,
sociais, culturais e filosóficas) de corpo, movimento e dança que
influenciam e mediam a nossa aprendizagem.
Outros aspectos vieram à tona também como: Como encarar a repetição e o
treino de uma coreografia de forma que esta prática não mecanize o
movimento, não "desensibilize" o corpo? Muitas foram as
questões levantadas e as referências foram riquíssimas.O assunto realmente não tem fim.
Discutimos muito, conversas que eu queria ter gravado de tão boas que
foram para poder escutar de novo e colocar aqui para compartilhar !!!
Tentei durante as aulas ressaltar a sensação de movimento, trabalhando a consciência
do encadeamento de ações em uma sequencia coreografada, ou frase de movimentos, na perceção das direções dos vetores
de força e alavancas que produzem o movimento. Exploramos diferentes dinâmicas
na relação com o peso, a energia e o tempo!!!! Trabalhamos as unidades de
maneiras de materializações do rítmo e da dinâmica da teoria ( para quem quer saber mais se chama Ch. U. M.M.) de Rudolf
Laban (swing, impulse, rebound e contínuo) e começamos a abordar
"estados".
Improvisamos na rua, explorando o espaço como modificador
do movimento, percebendo como que o corpo se adapta e se readapta de acordo com o
espaço e tentando trazer para dentro da realidade da sala de ensaio algumas
sensações reais do mundo para gerar movimentos. Dançamos inspirados por Pina
Baush por meio do filme de Win Wenders que nos presenteou com o que já temos dentro de nós mesmos,
potencializando nossos sonhos de dança!!!
Fizemos com isso um flash mob/ intervenção em dois cinemas de Brasília! Apreciamos um butoh que também era inspirado por Pina Baush... E daí dançamos no lago Paranoá! A água nos
uniu, não só pela sua matéria líquida envolvente, mas no sentido de que a
experiência na água nos aproximou e nos tornou mais grupo!!!! A dança
unida com a água nos trouxe para os sentidos! Fomos tomados por um prazer
sensório e estético que foi inenarrável, só se permitindo e dançando lá pra
saber......
Em contraponto à leveza
experimentada na água , caimos em quedas para entender o peso dos ossos e
os caminhos das articulações. E para fechar nosso intenso
semestre embarcamos na proposta da Teresa
Castro para performar no show de Konrad durante o Cena Contemporânea.
Experiência que destaco pelo processo de construção do figurino, estudo
da percepção musical e como elemento da improvisãção e a experiência de
dançar com uma estrutura
de improvisação dirigida, tudo em clima de dança contemporânea
despojada
pop divertida!